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Criação de tilápia: o que decidir antes e o que medir no tanque
Como começar uma criação de tilápia em tanque escavado?
Comece pela água e pelos papéis: fonte que abasteça o viveiro o ciclo inteiro, licença ambiental e outorga de uso da água. Depois vêm a obra, o povoamento e a rotina: oxigênio acima de 4 mg/L, biometria quinzenal e ração ajustada pelo peso. Para peixe de viveiro escavado, a Embrapa considera satisfatória a conversão alimentar entre 1,0 e 1,5.
Atualizado em 08/10/2026

Antes de escavar: água, licença e outorga
A criação de peixe em tanque começa pela água. O manual de piscicultura em viveiros escavados da Embrapa pede uma fonte que abasteça todos os viveiros ao longo do cultivo e que esteja livre de contaminação. Sem isso, o resto do projeto não se sustenta.
Depois vêm os papéis. No mesmo manual, a licença ambiental aparece como etapa da construção, logo depois de avaliar a água, a topografia e o solo. A Embrapa também lembra que o produtor precisa conhecer as regras federais, estaduais e municipais sobre o uso dos recursos naturais.
A outorga é a autorização para usar a água. A Lei 9.433, de 1997, sujeita a outorga a captação de água de um corpo de água para insumo de processo produtivo. É o caso de quem enche viveiro com água de rio, córrego ou represa.
Licença e outorga mudam de estado para estado. Antes de contratar a máquina, procure o órgão ambiental e o órgão de recursos hídricos do seu estado. Pergunte o que vale para o tamanho do seu projeto, inclusive se a sua captação entra em dispensa.
Se o imóvel ainda não tem o Cadastro Ambiental Rural, veja antes o guia do CAR.
Tanque escavado ou tanque-rede: o sistema de criação
A Embrapa aponta três sistemas principais no Brasil: os viveiros escavados, os tanques-rede instalados em grandes reservatórios e os sistemas integrados com reutilização de água. Este guia trata do viveiro escavado, que o produtor chama de tanque escavado.
A tilápia responde à temperatura da água. Na tabela da Embrapa para a tilápia-do-nilo, o crescimento é ótimo entre 26 e 30 °C. Entre 30 e 34 °C o peixe come menos e cresce menos. Em região de inverno frio, converse com o técnico sobre a época de povoar.
O oxigênio dissolvido é a variável que mais pesa. O manual indica valores acima de 4 mg/L. Manda medir cedo, entre 6h e 8h, de preferência antes do primeiro trato, porque é a hora em que a água tem menos oxigênio.
Como fazer tanque de peixe: as etapas da obra
O manual da Embrapa resume a construção do viveiro escavado nesta ordem:
- Avaliar a aptidão da área: água, topografia e solo.
- Obter a licença ambiental.
- Fazer o levantamento planialtimétrico, que mostra o desnível do terreno.
- Definir o local, a posição e as medidas dos viveiros.
- Retirar a vegetação, incluindo de 10 cm a 30 cm abaixo da superfície do solo.
- Fazer a terraplanagem dos taludes, que são as paredes inclinadas do viveiro.
- Deixar o fundo com declive e construir o abastecimento e a drenagem.
- Proteger os taludes com vegetação ou pedra.
Cada etapa é um gasto com data. Lance a máquina, o projeto e a tubulação como despesa da piscicultura desde o primeiro dia, para saber quanto o viveiro custou antes de entrar o primeiro alevino. A conta de quanto o hectare custa está em custo de produção por hectare.
Povoamento: quantos alevinos soltar
No manual da Embrapa para piscicultura familiar em viveiro escavado, a conta do povoamento parte do peso que o peixe vai ter na despesca. Quanto mais pesado o peixe na saída, menos alevinos por área.
| Peso na despesca | Alevinos por 1.000 m² |
|---|---|
| 1,0 kg | 1.000 |
| 1,5 kg | 667 |
| 2,0 kg | 500 |
| 2,5 kg | 400 |
Embrapa, Manual de piscicultura familiar em viveiros escavados, tabela 4. Vale para peixe mantido no mesmo viveiro o ciclo todo; não é tabela exclusiva de tilápia.
O manual avisa que, com manejo adequado, a mortalidade total fica em torno de 10% e que dá para soltar 10% a mais para compensar. Num viveiro de 1.000 m² com meta de 1 kg, seriam 1.100 alevinos.
A tabela é de viveiro familiar. O mesmo manual diz que piscicultura em sistema intensivo, de alta densidade, precisa de aerador. Se o seu projeto tem aeração, confira a densidade com o técnico que acompanha a criação.
No dia do povoamento, anote a data, o fornecedor, a quantidade e o peso médio dos alevinos. Nos dias seguintes, conte e registre os peixes mortos: a Embrapa pede esse registro para controlar a biomassa e a ração.
O que medir no ciclo: biometria e ração
Biometria é pesar uma amostra dos peixes para saber o peso médio do tanque. Para a tilápia, a Embrapa recomenda biometria quinzenal ou, no máximo, a cada 21 dias, com uma amostra de cerca de 3% a 5% dos peixes.
Com o peso médio e o número de peixes vivos, sai a biomassa: peso médio × peixes vivos. É a biomassa que diz quanta ração dar. Para viveiros de crescimento, a Embrapa indica ração com 28 a 32% de proteína bruta.
- A cada biometria: data, peso médio, peixes vivos e biomassa.
- Todo dia: ração oferecida em cada tanque e peixes mortos retirados.
- Na água: oxigênio pela manhã, temperatura e transparência.
- No caixa: cada compra de ração, alevino e energia.
Conversão alimentar da tilápia e a despesca
A conversão alimentar é a ração consumida dividida pelo ganho de peso. O manual da Embrapa traz a conta pronta: mil peixes de 50 g somam 50 kg. Trinta dias depois, 985 peixes vivos com 120 g somam 118 kg. O ganho foi de 68 kg. Com 82 kg de ração no período, a conversão deu 1,2.
Isso quer dizer 1,2 kg de ração para cada quilo de peixe. No glossário do mesmo manual, que trata de peixe de viveiro escavado em geral, conversão entre 1,0 e 1,5 é considerada satisfatória. O número não é próprio da tilápia. Faça a sua conta na calculadora de conversão alimentar e compare tanque com tanque, sempre na mesma fase.
Na despesca, que é a retirada dos peixes do tanque, anote a data, os quilos, o número de peixes, o comprador e o valor. Se houve tratamento no tanque, respeite a carência da bula antes de despescar. Com quilos vendidos e ração gasta, você fecha a conversão do ciclo inteiro.
Este guia é informativo. Licença, outorga, densidade, ração e tratamento dependem do seu estado e do seu projeto: confirme com o órgão ambiental e com o técnico ou veterinário que acompanha a criação.
O tanque de tilápia no FINAGRO
- Cada tanque vira um lote, contado em peixes, com a espécie escolhida numa lista que traz tilápia, tilápia GIFT e tambaqui, entre outras.
- No tanque você lança o que aconteceu: chegaram alevinos, morreram, vendi ou despesca. A mortalidade é calculada sozinha a partir das mortes registradas.
- O tratamento lançado no tanque guarda a carência da despesca em dias, e o app mostra até quando o peixe fica retido.
- A venda com valor já deixa a receita pronta para conferir, e a ração entra como despesa e no estoque de insumos.
- No dia a dia do tanque há três lançamentos. Trato do dia: quilos de ração e em quantas vezes. Água do tanque: oxigênio, com aviso quando fica abaixo do crítico, e temperatura. Pesar a amostra: peso médio. O app não mede a água: você digita a leitura do seu aparelho.
Cada tanque com povoamento, mortes, despesca e custo no celular.
Grátis, sem cartão. Tanque conta como lote, com quantos peixes você tiver.
Perguntas sobre criação de tilápia
Precisa de licença para criar tilápia em tanque escavado?
O manual da Embrapa coloca a licença ambiental como etapa da construção do viveiro. As exigências mudam de estado para estado, por isso procure o órgão ambiental do seu estado antes de começar a obra.
Como saber se a conversão alimentar da tilápia está boa?
Compare tanque com tanque e ciclo com ciclo, sempre na mesma fase. Para peixe de viveiro escavado, em geral, o manual da Embrapa considera satisfatória a conversão entre 1,0 e 1,5. Isso dá de 1 kg a 1,5 kg de ração para o peixe engordar 1 kg. Esse número não é próprio da tilápia.
Quantas tilápias cabem em um tanque escavado?
No manual da Embrapa para viveiro familiar, a conta parte do peso na despesca: para peixe de 1 kg, 1.000 alevinos por 1.000 m² de lâmina de água. Se o projeto tem aeração, confira a densidade com o técnico.
De quanto em quanto tempo se faz a biometria?
Para a tilápia, a Embrapa recomenda biometria quinzenal ou, no máximo, a cada 21 dias. Pesa-se uma amostra de cerca de 3% a 5% dos peixes para corrigir a quantidade de ração.
Qual a temperatura da água para a tilápia?
Na tabela da Embrapa para a tilápia-do-nilo, o crescimento é ótimo com a água entre 26 e 30 graus. Entre 30 e 34 graus o consumo de ração e o crescimento caem.
